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quarta-feira, setembro 29, 2004

O Centésimo 

Este é o meu centésimo post neste Blog. O centésimo e o último. Há momentos destes na vida.

Acabo como comecei, a 28 de Julho de 2003, com o mesmo post:

BAUDELAIRE "É preciso estar sempre embriagado. Para não sentirem o fardo incrível do tempo, que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia, ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se." convenhamos que com a virtude é mais difícil...

Como disse no título... hope I could...

terça-feira, setembro 21, 2004

Se me va ese amor que iba caminando bajo mis manos 

El encuentro de los Fernández en el Balneario http://www.balneariodealange.com/ y en el Hotel Varinia Serena del Tio Luis Miguel Fernández-Chiralt y de Maruja, paso la publicidad, fue fantastico! Ese fin de semana me diverti de verdad con todos vosotros, es que necesito estar con vosotros para comprender una parte de lo que soy, una parte de esta mezcla de sangre que llevo dentro y que se parece a un tinto de verano.

Fernando, mientras tocavas la guitarra y cantavas me fijé en esta frase "Se me va ese amor que iba caminando bajo mis manos", pero no era verdad, a Maria la tenias a tu lado, preciosa y cantando contigo, con esa pasión mútua que se os nota y que ya dió frutos. Gracias por cantar aquella preciosa musica de Carlos Cano en honor a todos los primos portugueses (y primas que te conozco muy bien jeje), dejo aqui la letra para que la recordemos todos:

En las noches de luna y clavel,
de Ayamonte hasta Villareal,
sin rumbo por el río,
entre suspiros,
una canción viene y va.
Que la canta María
al querer de un andaluz...
María es la alegría
y es la agoníaque tiene el sur.
Que conoció a ese hombre
en una noche de vino verde y calor,
y entre palmas y fandangos,
la fue enredando,
le trastornó el corazón.Y en las playas de Isla
se perdieron los dos...
Donde rompen las olas,
besó su bocay se entregó...
Ay, María la portuguesa...
Desde Ayamonte hasta Faro
se oye este fado
por las tabernas
donde bebe vino amargo,
porque canta con tristeza.
¿Por qué esos ojos cerrados?...
Por un amor desgraciado,
por eso canta, por eso pena:
¡Fado! Fado porque me faltan tus ojos...
¡Fado! Porque me falta tu boca...
¡Fado! Porque se fue por el río...
¡Fado! Porque se va con la sombra...
Dicen que fue el "te quiero"de un Marínero
razón de su padecer,
que una noche en los barcos,
de contrabando,
p´al langostino se fue.
Y en las sombras del río,
un disparo sonó...
Y de aquel sufrimientonació el lamento
de esta canción.
Ay, María la portuguesa...

Carlos Cano

quinta-feira, setembro 16, 2004

"Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois" 

Ontem fui ver no Tivoli esta peça de teatro de Mauro Rasi. Uma arrozada completa com marisquinho descascado e tudo! Nélio e Angela conseguem ser hilariantes em vários momentos, as expressões que cuidadosamente adaptaram ao português de Portugal não escondem outras que esquecidas, ganham em dobro a graça que tinham no original. Não é a melhor peça brasileira que já vi, mas é das que achei melhor reresentadas, os actores superam o texto, por assim dizer. Isto não é pouco, o Brasil é para mim o país dos actores, parece tudo natural, fácil. Dividida em quatro bodas distintas, do Ciúme, da Egolatria, da Supressão e da Paixão, é fácil encontrar exageradas agumas situações mais peculiares de um casamento. Nem todas dariam para rir por algumas serem dramáticas, mas com "estes dois" a folia é garantida. O toque picante em qualquer das bodas, junta as gerações numa gargalhada sincera, também gostei de ver isso, o pudor luso a ir pelo cano.
Miguel Falabella é muito engraçado mas achei-o bastante preso ao registo "Sai de Baixo" que não deixa de ser brilhante, só que se há algo que gostamos todos de ver num actor é a capacidade de se reinventar em cada actuação. De qualquer forma o "Príncipe Dinamarquês" parece simpático, tinha-o visto num programa de TV e no dia seguinte em plena rua e nota-se-lhe a áurea de "boa pessoa". Cláudia Raia é das minhas heroinas de há muito, devia ter eu 15 anos quando a via em "Roque Santeiro" e ficava com os olhos muito abertos cada vez que aquela mulher altíssima entrava em cena. Reabri os olhos, agora miopes, 17 anos depois com a mesma cara de palerma de antes, acho que quando desceu a Plateia até ao palco vestida de noiva soltei uma daquelas minhas tontas expressões de admiração "Nossa Senhora..." ou "Dios mio de mi vida...".

Lisboa, Teatro Tivoli - Av. Liberdade, 182
Até 02-10-2004Quarta a sábado às 21h30Domingo às 16h30

segunda-feira, setembro 13, 2004

Do que gosto em nós 

Gosto do que tens para dar, gosto deste status quo, gosto qb do teu toque sem verdadeiramente te tocar, gosto de não ter de me entregar, de nunca te magoar, gosto de sentir que não exiges nada em troca. Gosto de ti assim e gosto de nós como tal, gosto de cada vez que passas por mim os olhos sem os descansar, gosto de os aterrar em ti como um abraço enorme. Gosto da tua cor, do teu perfume, da alegria em cada palavra tua, gosto simplesmente de estar contigo, deitado na relva, aos tombos na noite, perdido nos sonhos contigo semi nua... Gosto do que me fizeste voltar a sentir, gosto quando combinamos encontrar-nos, ou quando te encontro simplesmente, gosto de cada desencontro que nos volta a juntar. Não disfarço um sorriso que me trai, não escondo sequer a fantasia, não me engasgo nas esperas quando estás longe, nem me complico nas demoras quando não sei de ti. Gosto de ti assim, simples, mais ou menos distante, derramada numa qualquer noite vazia, depois de um encontro ou antes de outro, num dia cheio de sol ou debaixo da chuva que te convida. Gosto de ti quando procuras, quando tens frio, quando pensas ter encontrado, quando te sentas a meu lado já exausta, quando confias e quando duvídas, gosto dos momentos contigo quando parecem perenes e repetidos, ou quando são novos e encantadores, gosto de deixar-te em casa, gosto de sentir-me em brasa, gosto das memórias, da saudade, de confiar em ti e na tua vontade. Gosto de saber que conto contigo e de que sabes que nunca te vou faltar, gosto da paz que nos damos. Gosto do que sei que te posso dar, do que não posso, de te encontrar, de te viver, gosto de saber que amas, gosto de saber que não sei quem, de imaginar, gosto das promessas, das remessas de ti, do que vejo e já vi, do que vais entregar amanhã e depois, gosto de nós os dois. Gosto dos teus passos, dos saltos, dos beijos, do que dás quando vibras em cores tão diversas como os amores que pensas. Gosto de ti, como cumes inalcançáveis ou terriveis ameaças, todas essas coisas que nos deixam sem ar. Gosto de ti assim, sem saber porquê e sabendo bem. Gosto porque sei que quando fores de alguém ou se já for teu, nada deixará de acontecer, porque é assim que gosto de ti e sei que se um dia te perguntar, me vais dizer que também gostas de mim assim.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Sorry Maple Syrup 

Vivi só em sonhos o que a tua verdade atormentou
O que bebeste no mar em cada sensação em mim perdida e em ti enaltecida
Viajaste em emoções diversas, alcançadas entre gritos e choro
Nunca perdeste o horizonte, mas cansou-te pelo menos,
enquanto eu me perdia em dias vagarosos sem sabor.
Retomaste o teu caminho em solo alheio, desconhecido
e quando foste a primeira a acordar,
desembaraçaste-te de tudo
Pensaste então que nesse outro porto havia uma espera,
um qualquer destino diferente do teu,
que te consolasse, te envolvesse nas marés,
te igualasse na paixão da tua viagem
e na vertigem da felicidade que procuras
A vida não é assim Maple Syrup,
não te sei dizer como é, mas não é assim...

quinta-feira, setembro 02, 2004

Segunda Carta à Madalena 

Querida Amiga,
Às vezes sabes que tenho vontade de me entrincheirar nos dias felizes? mas é sempre uma tentação saber o que vem depois, como me disseste um dia em que a chuva parecia que partia os vidros lá de casa e empunhavas nervosa uma caneca carregada daquele café forte que só tu sabes fazer "nós mulheres temos medo de ser felizes, mas somos a própria incoerência, se estamos infelizes queremos a segurança, se nos achamos seguras, queremos uma aventura" e depois pediste-me numa gargalhada estridente para te dar ideias de como superar todos os limítes que conhecias, como se me pudesse pôr no teu lugar e como se o pudesse fazer. Como te disse nessa altura é isso que nos fascina a nós homens, porque também nós procuramos, antes o facilitismo, a descoberta, depois "uma mulher perfeita para casar" como se estivessem marcadas na cara com um ferro M.P.P.C. e mais tarde procuramos o facilitismo e a descoberta novamente, que até pode ser com as mulheres que quando se acham seguras procuram uma aventura. Perfeita simbiose não te parece?? se fosse tão simples, o mundo funcionava tão bem! mas e os que queremos ficar na fase intermédia? Será que sempre teremos estas conversas Madalena? aos 50? aos 60 e aos 70? e quando a razão for toldada? seremos dois velhos decrépitos que gozaram a vida da forma que ela está convencionada? ou se inflamaram em virtude do que queimámos em cada momento sem pensar nas consequências? quando rires ainda terás essa covinha debaixo do queixo e as rugas debaixo dos olhos? claro que terás e outras que até lá vão aparecer e que te fazem parecer cada vez mais o "velho carvalho" onde por gozo diziamos que nos encontrávamos quando fugiamos da "quinta" para o "bosque" por sermos animais selvagens! enfim espero que choremos de prazer por termos entendido que assim fomos felizes. Em cada manhã até esse dia, promete-me que cada vez que estiveres sem roupa (na pureza do que és) te olhas em frente ao espelho e gritas que esse dia tem de ser como se fosse o último mas sempre sabendo que o não pode ser. Sabes que eu cada vez acho mais que a porra das convenções nos sequestram a alma, como se fossem feitas de paredes com picos, espetos! nem nos deixam encostar que sentes logo a estocada. Por isso te dizia desde início que ficou por estes dias muito que fazer, eu ardo dentro das convenções e vejo as paixões arrefecerem, cansei-me das ditas aventuras, disse-te há uns dias. Parece que não há mais tempo para nada, nem para nos encontrarmos a nós próprios. Mesmo que me arrependa em cada vez que o fizer vou apontar os dias e as pessoas como se fossem bens preciosos e únicos. Acabo as cartas que te escrevo sempre da mesma forma, é uma necessidade de sentir que há um mesmo epílogo para tudo isto, desculpa-me.
Um beijo do teu amigo Sertório

Primeira Carta à Madalena 

Madalena,
Nem imaginas nestes dias cara amiga, quantas flores ficaram por ser oferecidas, quantas mesas ficaram por levantar, pelos jantares a dois que não tiveram lugar. Foi um corropio de vozes que se perderam e de palavras que tivémos de guardar em pequenas caixas religiosamente fechadas e guardadas no meu caso, na parte esquerda do cérebro porque se as deixasse escapar teria sido apelidado de revolucionário também nas relações, já não chega o resto! Já sabes que sou "o comuna" para todos os efeitos! Desde a Serena essa espantosa italiana que se atravessou no meu caminho naquela fuga a San Gimigniano no último Natal que não ficava com a cabeça à roda. Em cada lugar onde fui desde essa data houve sempre uma imensidão de caminhos que podia ter percorrido Madalena, mas o estigma de não saber escolher o melhor, parece que nos persegue em cada escapadela ou encontro. Reparaste que não disse "a melhor"? Não é a melhor mulher, mas a melhor opção, que te bate na cara e nem te deixa ver mais nada e às vezes é a "pior mulher" essa mulher certa. Enquanto a ti o que fazes estes dias? o Estio não nos abandonou ainda, mas já tenho alguma sede das caricias de Inverno. As lareiras crepitantes enquanto ardemos por dentro e por fora ao som de um pianista qualquer e um cartuxa (Da última vez viémos saber que não era um qualquer pianista mas sim uma interpretação magistral de Rachmaninov). Vais-te rir mas estou farto de aventuras! Escondem cada vez segredos mais pequenos e nem por isso deixam de parecer dádivas imensas que nos inundam os oceanos da alma e da líbido, mas no fim do dia para alguém como nós, são pérfidas e tão vazias e inóquas, desculpa, para alguém como eu. Eu sentia a alma atrovejar e a febre a aumentar quando as via chegar mas agora fico quedo e mudo. Já fiquei farto de entrar na água e sorver aquele movimento perpétuo das ondas. Tenho saudade dos dias de Inverno em que tu e eu nos riamos em frente a elas enquanto nos salpicavam de água salgada. As bocas tratavam dos salpicos entre as gargalhadas, as tuas mais estridentes que as minhas é certo. Caramba Madalena porque é que a amizade é um valor tão raro nestes dias? percorremos os dias, os tempos e as companhias como se nunca perecessem mas sabemos que um dia nunca se repete e uma pessoa também não. O que é hoje amanhã deixou e ser e no dia seguinte já mal nos lembramos de como nos marcou.
Teu, Sertório

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