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sexta-feira, novembro 28, 2003

O patriarca 

Ontem perdi a convivência com um elo importante com a geração mais antiga ainda viva da minha familia materna. Costuma-se dizer que uma pessoa só morre quando a última pessoa que a conheceu e com ela conviveu, também morrer, até lá ela perdurará sempre na memória de quem partilhou momentos da vida com ela. O Tio Francisco Barahona, que chamávamos carinhosamente de "Ti Chico" que foi casado com uma senhora francesa que não conheci e que perdeu pelos 60 anos, deixou-nos. Tinha 93 anos e era o mais velho, o patriarca da familia, o último de 4 irmãos, ainda conheci o tio Manuel que era gémeo dele. Tudo isto me assusta porque agora o meu Avô o mais velho com 85 anos, ainda que a minha avó é que é prima direita do Tio Chico. Fez-me também pensar que de uma forma ou de outra é importante deixar filhos, ele não os teve, só afilhados e no enterro sentia-se a falta dos descendentes directos. Eu asseguro que o Tio Chico não morrerá enquanto eu for vivo. No entanto entristeço-me por não ter a companhia dele este Natal, quando vinha pelas calçadas íngremes de Évora até casa dos meus avós, só para almoçar connosco. Vai ser um Natal mais pequeno.

Supondo que... 

a fera era amansada
o rio era mais escuro
a terra era alisada
o céu ficava duro
a mina reluzia
a pedra em vão voava
o corpo entorpecia
a mente amarelava

eu faria tudo exactamente da mesma forma.

terça-feira, novembro 18, 2003

Bohemian Glamour 

"Inspired by the colorful "bohemian" artistic lifestyle, the Bohemian Glamour Barbie, third doll in the exciting Style Set Collection, is a brilliant creation reflecting style and flair! The ruffled coral chiffon top and coordinating printed chiffon ruffled skirt bedazzles in vibrant hues of coral, pink and turquoise. Barbie doll has a pink chiffon scarf tied around her hips affixed with a turquoise-colored hip brooch that matches her dangling earrings. She wears strappy coral sandals, and has red hair that tumbles in carefree curls down her back"

Hoje apetece-me escrever um post sobre o comportamento feminino na noite de Lisboa. Eu tenho teorias parvas, isso já a maior parte dos meus amigos e eu próprio sabemos, o pior é que estou tentado a escrever sobre elas, o que deixa de ser parvoíce para ser uma perfeita estupidez. Por isso esta teoria é tão estúpida como qualquer outra que possa por aqui aparecer e que seja da minha autoria. Achei por bem fazer esta pequena introdução que me exime de quaisquer responsabilidades e lembrei-me desta fantástica descrição deste "brinquedo" para divertimento da criançada feminina, que define perfeitamente o "modelo" de teenager e jovem adulta do início do Séc. XXI. Basicamente nós homens, já mais crescidinhos, também queremos brinquedos destes mas que articulem algumas palavras e... enfim isso que sejam articuladas pronto já o disse. Então aqui vai, na noite acho sempre surpreendente as alterações no comportamento que se vão produzindo ano após ano. Agora está na moda as miúdas sairem sozinhas em grupos de 3 ou 4 e fazerem as mesmas figuras que nós sempre fizemos, ao longo dos tempos, não sei se tristes, creio que só o facto delas as fazerem também agora prova que não são assim tão tristes. Uma boneca bohemia é uma boneca que anda na noite, ou seja as adoráveis criancinhas começam desde cedo a ver uma mulher adulta como uma maluca bohemia, não acho isso necessariamente bom, nem obrigatoriamente mau, mas acho que está tremendamente errado enquanto método didáctico, tal como estavam os métodos levados a cabo durante o Estado Novo. Ou seja uma miúda pode não aprender já como cerzir umas calças, coser umas meias ou fazer bordados, mudar as fraldas a bebés ou fazer carne à jardineira ou um simples refogado mas daí a ter de conviver desde pequena com uma brilliant creation reflecting style and flair... francamente, quem tem de querer conviver com uma brilliant creation reflecting style and flair sou eu e mais nada! Por outro lado repare-se na indumentária feminina na noite, sinceramente parecem saídas do Mad Max!! Eu pergunto... porquê as calças e camisolas de guerra sábado à noite??? vão à caça domingo de manhã? Tenho a honra de ter conhecido a única miúda que tem legitimidade para usar estas vestimentas, porque o pai dela negoceia em armas, mas as outras, esse imenso exército sem quartel, sinceramente alistem-se na tropa, dêem conselhos ao Paulo Portas sobre a cor dos submarinos mas queremos as calças pretas e as mini saias de volta! Outra coisa, o consumo de cigarros e bebidas brancas é tremendamente exagerado para quem um dia vai ser mãe. Estou a ficar demasiado parecido com o Diácono Remédios, agora devia ser aquela parte em que me ladeavam duas beldades de sloggys vestidas mas sinceramente não vejo nada...

sexta-feira, novembro 14, 2003

Uma Lição de Vida 

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade

com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas

inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

Fernando Pessoa

quinta-feira, novembro 13, 2003

Chapapote 

Dia 13 de Novembro de 2002 foi o primeiro dia branco desse ano na Serra da Estrela e o primeiro dia negro ao largo de Finisterra. Faz hoje precisamente um ano que a negritude em forma de massa viscosa e fria invadiu a Costa da Morte, fazendo-lhe justiça ao nome. 77 Mil toneladas de crude que ainda hoje saiem do casco do Prestige cuja carcaça venenosa jaz no fundo do mar e ao contrário do nome só nos desprestigia. As reservas piscículas estão fortemente ameaçadas, pesca-se menos. Uma espécie de lodo negro não deixa os ovos dos peixes eclodirem. A tragédia que podia ter chegado a Portugal mas ficou-se pela Galiza, uma terra de sofrimento, uma nação de irmãos. O acidente do Prestige teve um efeito parecido ao do Rei, o de união da grande comunidade de nações que é Espanha. Até ao Verão de 2003 assistimos a uma autêntica migração de povos das várias comunidades para a Galiza, pudémos ver andaluzes, bascos, catalães e outros, juntos com o mesmo brio e ambição, libertar a costa da morte da imensa ameaça negra. O barco tinha bandeira das Bahamas que são umas ilhas cuja área não ultrapassa a do Algarve, não deixa de ser curiouso porque é o terceiro paí­s com maior tonelagem registada. Ficou a lição, como uns anos antes em França já tinha ficado. Casco duplo, barcos de países que ofereçam garantias e de empresas de confiança (esta era russa e de reputação no mínimo discutível), tudo o resto deve passar bem ao largo.

quarta-feira, novembro 12, 2003

Se fosse verdade, porque era suposto... 

Gritavas no horizonte, pensei que era de dor
Disseste-me que não, ouvi-te confessar
Não sei se me mentiste, ou em vão foste sincera
Nem sei o que querias, se matar a minha sorte
Por isso dei-te flores, como tu
Quem sabe se num livro ficasse a verdade, o sonho, a infâmia da saudade
Talvez fosse possível
Outrora a terna ilusão do teu abraço
Hoje os dois pedimos que nos tragam novo fôlego
Já nem se apanham as mentiras mediocres ou os amores acabados
Trama-me ou então salva-te a ti mesma!
Apanha-me entre todos na queda dos audazes ou em momentos fugazes
Frios, esquerdos, vazios
Enfim...
Foi no caminho ocre da vida, entre razões devanecidas que te encontrei
que seja na esquina morna do tempo que te perca

Send me a postcard, drop me a line
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, wasting away

Give me your answer, fill in a form,
Mine for evermore,
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four

You'll be older too, and if you say the word I could stay with you (Beatles)

terça-feira, novembro 11, 2003


São Martí­rio 

Já levo a minha conta de castanhas e jerupiga este ano. No entanto hoje virão mais umas para respeitar o dia de S Martinho. Aproveito o dia da festividade da Castanha para dizer que há uma coisa que me lixa sobremaneira, porque raio substituí­mos a castanha como base da alimentação pela batata, há tantos séculos atrás? Um fruto tão nobre trocado por um tubérculo infecto? ok ok eu gosto de batata a murro, batata cozida, etc. mas dou é um murro na mesa, por exemplo abusa-se tremendamente na batata frita! além de que faz mal è saúde! porque é que nos restaurantes nos põem uma mísera colher de arroz e um monte de batatas fritas como se fossem de borla e o arroz fosse um produto extremamente caro e raro? Já me deparei com "n" situações em que peço para me trocarem as batatas fritas por arroz e salada e normalmente olham-me com desprezo, como se dissesse "olhe a cindy crawford não, traga-me antes a Manuela Ferreira Leite". Há pouco tempo chegaram a dizer-me "pode vir arroz mas também têm de vir as batatas" não acho normal... parece que as pérfidas batatas se impõem de qualquer maneira, é a ditadura do tubérculo. Um martírio! Eu combato a batata, sou pior que o escaravelho! Por outro lado a castanha vem dos castanheiros certo? árvores de um porte imenso, magníficas, o que preferimos ter no jardim afinal? um monte de estacas com pés de batata ou um castanheiro para gravar mensagens apaixonadas? Ponhamos o "castanetu" o latim da castanha no lugar que merece, às nossas mesas, nos nossos pratos. À conta da castanha ter caído em desgraça temos o país invadido por batatas. Parabéns nobre povo, florestas de castanheiros imponentes abatidas para fazer móveis e barricas de vinho e passarmos a ter imensos quintais de pés de batata e bosques de eucaliptos. Haja paciência só à  batatada, ou à castanhada aliás...

segunda-feira, novembro 10, 2003

A tal virtude 

Tentaram chegar e sentir
esqueceram-se dos sons, das vertigens imundas
profanos, travessos, esquecidos pelo ódio
olharam comeram e viram mil blimundas

Senti-me também eu assim no dia
na selva sublime e adormecida em gritos
vitoriosos, ricos e poetas
ficaram orfãos dos seus tristes mitos

Quiseram subir sem baixar
vitimaram-se sem sequer adormecer
silêncios mil em semi colcheias
que me fizeram desentorpecer

Dizimei-me em olhares perplexos
na costa das vissicitudes
cantigas de uma era diferente
e encontrei-me em outras latitudes

Encanto Mourisco 

Sempre gostei de sítios, terras, cidades, com uma carga histórica importante. Portugal é um país de excepção neste domínio. Quase ouvimos as vozes dos nossos ancestrais, da imensa mescla de culturas que nos formaram. Há poucos dias em Castelo de Vide pareceu-me ver amores furtivos de uma princesa moura, com algum cristão mais afoito e sem medo do purgatório. A mesma princesa que imaginei plebeia no Castelo dos Mouros em Sintra e a mesma moura que vi cristã em Alfama e na mouraria, correndo nas ruelas estreitas perseguida pelo noivo traido. Devemo-nos encher de orgulho por este legado histórico que nos permite ter imaginação só por viver os lugares com intensidade, mas não um orgulho bacoco, antes uma sensação quente e envolvente de que temos a grande honra de descender de um são compadrio e conluio de culturas e religiões, que ainda hoje tantos séculos depois serve de exemplo a civilizações ditas mais avançadas.

De volta em revolta 

Estou de volta revoltado! Desde 29 de Julho que não conseguia entrar no meu querido blog. Além do mais exalta-me que pouco ou nada tenha mudado no mundo desde essa altura. Foi a minha idade das trevas mas a do Mundo também, salvo a comparação. Estava com blogosaudades e com tanta coisa para escrever, nem sei bem por onde começar. Por exemplo quero dizer que sábado olhei a imensidão das almas no Céu Alentejano e reflecti com elas e com a Lua eclipsada pelo Sol. Tenho a certeza que as estrelas são almas cintilantes, puras, cheias de conselhos para nos dar. São pusidónias de bonitas. Parvas.

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